Tipos e configurações de PMV
Escrito para quem recebeu a tarefa de pedir um painel de mensagens variáveis e precisa saber o que existe antes de decidir o que quer. Nenhum conhecimento prévio de NTCIP ou de engenharia de tráfego é pressuposto — a ideia é que, ao fim desta página, você consiga descrever o painel que o seu problema pede.
Antes de tudo: o que decide o painel é a via
Há uma inversão comum e cara. As pessoas começam perguntando «de que tamanho?» ou «quantas linhas?». A norma brasileira responde ao contrário: a via define o painel.
Dois dados resolvem quase tudo:
- a velocidade regulamentada da via onde o painel vai — não a velocidade de projeto, não a velocidade média, a que está na placa;
- se a via é urbana ou rodovia.
Desses dois sai a altura mínima das letras. Da altura das letras sai o tamanho do painel inteiro. É uma cadeia, e ela só corre num sentido.
Por que a velocidade manda. Quanto mais rápido o veículo, mais longe o motorista precisa começar a ler para terminar antes de passar. Ler mais longe exige letra maior. A norma converte isso numa conta direta: a distância de legibilidade é 0,7 vez a altura do caractere — caractere de 300 mm é legível a cerca de 210 m.
As duas famílias
| PMV fixo | PMV móvel | |
|---|---|---|
| Onde fica | Instalado em local definido, uso contínuo e ininterrupto | Sobre carreta ou veículo, em local temporário |
| Para quê | Informação permanente de um ponto da via | Obra, evento, operação especial, emergência |
| Área útil | Sem máximo na norma | De 2 m² a 4 m² |
| Passo máximo | 25 mm | 25 mm urbano · 40 mm rodovia rural |
A fronteira é de 4 m². Painel com área útil acima disso não é PMV móvel para a norma, ainda que esteja sobre uma carreta — ele passa a responder por todas as exigências de PMV fixo, borda inclusive. É a confusão que mais aparece em contratação de painel de obra.
PMV móvel
É o mais simples de especificar, porque a norma dá os mínimos direto, sem tabela:
| Aplicação | Mínimo de linhas × caracteres | Altura mínima do caractere |
|---|---|---|
| Uso urbano | 2 linhas × 8 caracteres | 250 mm |
| Uso rodoviário | 3 linhas × 8 caracteres | 350 mm |
Some-se a isso a área útil entre 2 e 4 m², a resolução mínima da matriz e o passo máximo, e o painel móvel está descrito.
Móvel é âmbar. A área de mensagens de qualquer PMV é monocromática em âmbar por determinação da norma — e a norma veda texto em outras cores. Isso não é escolha de quem especifica. Se você viu proposta de painel móvel «full color» para exibir texto, é fora de norma.
PMV fixo
Aqui a norma trabalha por tabelas encadeadas. O caminho é este:
Um exemplo, do começo ao fim
Rodovia com velocidade regulamentada de 100 km/h. Quero exibir 3 linhas de 16 caracteres.
- Rodovia a 100 km/h pede caractere de 350 mm de altura, no mínimo.
- A largura da área de textos é a altura multiplicada pelo número de caracteres por linha: 350 × 16 = 5.600 mm.
- A altura da área de textos soma as três linhas mais o espaçamento entre elas, que acima de 300 mm pode ser metade da altura da letra: 3 × 350 + 2 × 175 = 1.400 mm.
- Por ser painel externo, entra borda em todo o contorno, com largura mínima igual à altura mínima do caractere — 350 mm de cada lado.
- Dimensão aparente: 6.300 × 2.100 mm.
A borda é o item que estoura orçamento. Ela não é moldura decorativa: existe para criar contraste contra o céu e entra na dimensão aparente, no peso e na área de vento — ou seja, no dimensionamento do pórtico. No exemplo acima ela acrescentou 700 mm em cada dimensão. Quem orçou só a área útil vai errar a estrutura.
A norma também fixa um piso absoluto: nenhuma borda pode ter menos de 100 mm, em nenhum tipo de PMV.
E o máximo?
Para PMV fixo a norma não estabelece máximo. Vale registrar porque a pergunta aparece sempre. O único teto da norma é o do painel móvel, de 4 m².
O limite do painel fixo é prático, não normativo: gabarito vertical disponível, capacidade da estrutura de suporte, carga de vento e orçamento. Em túnel, aliás, o gabarito costuma ser o fator determinante — e a norma prevê expressamente a redução da área de pictogramas quando o pé-direito não comporta.
As tabelas completas estão na norma. Esta página explica o método e os mínimos, mas não reproduz as tabelas de dimensionamento da ABNT NBR 17050:2022, que são conteúdo protegido — consulte no exemplar oficial, adquirido junto à ABNT.
Se você só precisa do resultado, o gerador de projeto de PMV faz a consulta e a conta, e devolve o desenho cotado e o memorial.
A área de pictogramas
É a região colorida do painel, onde aparecem símbolos — seta de desvio, faixa interditada, alerta. É opcional: há PMV só de texto.
Quando existe, a norma fixa três coisas:
- É quadrada — altura igual à largura — e tem no mínimo a mesma altura da área de textos. A dimensão mínima cresce com a velocidade da via e é maior em rodovia que em via urbana.
- Deve ser equipada com LED RGB, para compor cores diferentes.
- A posição é determinada: havendo uma só área de pictograma, ela fica obrigatoriamente à esquerda da área de mensagens, vista pelo motorista. Havendo mais de uma, ficam no eixo das faixas de rolamento.
RGB ou RGBY?
É a dúvida que mais gera cláusula copiada errada, e a resposta é uma pergunta só:
| A área de pictogramas vai trabalhar integrada à de textos? | Configuração |
|---|---|
| Não — ela é independente, só exibe pictograma | RGB |
| Sim — quando não há pictograma, o espaço vira mais caracteres de texto | RGBY — RGB mais um LED âmbar dedicado |
Integrar é o que permite usar a área do pictograma como extensão da linha de texto. A norma exige que, nesse caso, o âmbar exibido ali seja de LED âmbar de verdade — e veda expressamente compor esse âmbar somando vermelho e verde do RGB, porque a olho nu não casa com o âmbar da área ao lado.
A pegadinha das três áreas. Se o painel tiver três ou mais áreas de pictogramas, a norma obriga que sejam integradas — e portanto obriga RGBY. Quem especifica um pictograma por faixa numa via de três faixas está pedindo RGBY sem saber.
O detalhamento está em RGBY: quando a norma exige o LED âmbar.
O sinalizador de advertência
São os focos âmbar piscantes nas laterais do painel, acionados pelo operador quando a mensagem trata de risco iminente à frente. A norma os trata como item do PMV, não como acessório:
- PMV a céu aberto: quatro focos de 200 mm de diâmetro nominal, nas laterais
- PMV em túnel: dois focos
- Funcionam alternando lados em intervalos de meio segundo — e nunca todos acesos ou todos apagados ao mesmo tempo
Essa última regra reprova o strobe pronto de prateleira, que pisca tudo junto. É barata de verificar no recebimento e quase nunca é verificada.
Como pedir o projeto
Reunindo tudo, é isto que descreve um PMV sem ambiguidade. Preencha os colchetes:
PAINEL DE MENSAGENS VARIÁVEIS — CONFIGURAÇÃO
(fonte: ntcip.com.br/pmv/tipos.html — uso livre)
Tipo ......................... [ fixo | móvel ]
Via .......................... [ urbana | rodovia ]
Velocidade regulamentada ..... [ ___ km/h ]
Local ........................ [ céu aberto | túnel | ponte ]
Área de mensagens
Linhas ..................... [ ___ ]
Caracteres por linha ....... [ ___ ]
Altura do caractere ........ [ ___ mm, >= mínimo da NBR 17050
para a velocidade e o tipo de via ]
Cor ........................ âmbar (monocromática, por norma)
Tipo de matriz ............. matriz completa (full matrix)
Área de pictogramas .......... [ não há | independente | integrada ]
Quantidade ................. [ ___ ]
LED ........................ [ RGB, se independente
RGBY, se integrada ou se houver 3+ ]
Sinalizador de advertência ... [ sim | não ]
Dimensionamento, borda e dimensão aparente conforme os itens 4.1
e 4.2 da ABNT NBR 17050:2022.
Uso livre. Este texto existe para ser copiado em projeto, especificação ou edital, sem necessidade de autorização.
Falta a parte que ninguém preenche
A descrição acima cobre o painel. Falta o que faz dele um equipamento integrável: como ele conversa com o centro de controle.
A própria NBR 17050 resolve isso remetendo ao NTCIP — e com uma exigência mais dura do que o mercado pratica: para a norma, um PMV só é compatível com NTCIP quando adota toda a estrutura de normas NTCIP, e não somente aquela destinada a PMV.
Na prática, «compatível com NTCIP» escrito em catálogo não prova nada. O que prova é a declaração de conformidade objeto por objeto. Veja NTCIP 1203, que é a norma de PMV, e ABNT NBR 17050:2022, que é quem manda aplicá-la.
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