Classes ópticas: C, L, R e B
É o vocabulário que separa um edital verificável de um edital de opinião. Quatro características descrevem o desempenho óptico classificado de um PMV, cada uma com classe declarada e método de ensaio definido.
Três destas quatro características têm mínimo obrigatório. A norma fixa piso para luminância (L3), contraste (R3) e ângulo de visão (B4). Para cromaticidade, não há mínimo. A maioria dos editais brasileiros faz exatamente o contrário: cita cromaticidade e omite as outras três.
O detalhamento está em Os três mínimos que quase nenhum edital cita.
As quatro características
A norma usa esta nomenclatura — vale adotá-la em edital, porque é a que o laudo vai trazer:
| Característica | Classes | Regra |
|---|---|---|
| Cromaticidade | C1, C2 | C2 é a mais restritiva |
| Luminância | L1, L2, L3 e variantes (*) | L3 é a de maior luminância |
L1(T), L2(T), L3(T) | Uso em túneis | |
| Contraste | R1, R2, R3 | R3 é o maior contraste |
| Ângulos de visão | B1 a B7 | B7 é o maior ângulo |
Atenção ao vocabulário: a norma brasileira diz contraste e ângulo de visão. A tradução literal da norma europeia — «razão de luminância» e «largura de feixe» — descreve as mesmas grandezas, mas não é o termo que o edital e o laudo devem usar.
Como se declara
Três regras de notação que evitam cláusula ambígua:
- Uma classe de luminância por painel, não uma por cor.
- Uma classe de contraste por painel, igualmente.
- Cromaticidade pode variar por cor. Quando varia, a cor entra junto da classe,
com a inicial em inglês antes dela:
wC1para branco,rC2para vermelho, e assim por diante.
C — cromaticidade
Define a região do diagrama CIE 1931 em que a cor emitida deve cair. São dois
conjuntos de regiões: C1 mais amplo, C2 mais restrito. Os
pixels devem atender a valores de comprimento de onda dominante e de cromaticidade
tabelados na norma.
Para o âmbar, C1 e C2 são idênticas. A norma registra em nota que as coordenadas da cor amarela (âmbar) são as mesmas nas duas classes — e o mesmo vale para o laranja. Como a área de textos é obrigatoriamente âmbar, exigir «C2» não a torna mais rigorosa. A diferença entre C1 e C2 existe apenas para branco, verde, azul e vermelho, que só aparecem na área de pictogramas.
A regra do painel integrado. Quando a área de mensagem e a área de pictogramas são de uso integrado, a norma exige que a cromaticidade do painel seja uniforme para a mesma cor aparente a olho nu, o que implica incluir LED âmbar na área de pictograma. É daí que vem a exigência de RGBY que aparece nos editais — ver RGBY: quando a norma exige o LED âmbar.
L — luminância
Brilho da mensagem medido sob simulador solar, em seis níveis de iluminância do painel: 40.000, 10.000, 4.000, 400, 40 e ≤ 4 lx.
As variantes importam:
(T)— classes para túnel, que só exigem os níveis baixos de iluminância(*)— inclui medição adicional a 10.000 lx com ângulo de 5°, para sol baixo no horizonte
Cada classe tem mínimo e máximo. Painel brilhante demais reprova igual a painel escuro demais — ofuscamento é falha de conformidade, não excesso de qualidade.
R — contraste
Relação entre o painel aceso e apagado, sob iluminação solar de 40.000 lx, medida perpendicularmente à face:
Contraste = (La − Lb) / Lb
La = luminância do painel ligado, sob simulador solar
Lb = luminância do painel desligado, sob simulador solar
A norma tabela mínimos por cor e por classe, tanto no eixo de referência quanto fora dele. A hierarquia entre cores é consistente: branco exige o contraste mais alto, azul o mais baixo, com âmbar em posição intermediária alta. Faz sentido físico — quanto mais luminosa a cor, mais ela precisa se destacar do fundo apagado.
B — ângulos de visão
Cada classe define um envelope de ângulos horizontais e verticais dentro do qual o desempenho tem de se manter.
Não é uma escala linear de qualidade. As classes crescem em abertura, mas trocam horizontal por vertical no meio da tabela — há classe com mais abertura horizontal e menos vertical que a anterior. Escolher a classe é escolher a geometria da instalação, não comprar «mais».
A norma observa que a classe mais aberta, B7, corresponde a uma
distribuição de luz típica de aplicações específicas como estacionamentos — não
de via rodoviária.
Quatro classes não atendem ao mínimo. Por terem ângulo vertical menor que o
exigido por B4, as classes B1, B2,
B3 e B5 ficam abaixo do piso normativo — inclusive a
B5, que tem abertura horizontal maior que a B4. A escolha real é entre B4, B6 e
B7.
Dois detalhes de projeto que a norma fixa junto:
- Assume-se instalação em trecho plano e reto, comportando a máxima distância de legibilidade
- Em aclive ou declive, a montagem deve compensar a inclinação da via, até o limite de 10°, para preservar essa distância
Além das quatro, há verificações sem classe. A EN 12966 exige, no mesmo relatório, uniformidade de intensidade luminosa (a razão entre os elementos mais e menos brilhantes, limitada a 3:1 e 5:1), ausência de cintilação (frequência ≥ 90 Hz, para a mensagem não «piscar» em vídeo e na visão periférica) e durabilidade do desempenho óptico ao longo da vida útil. Não recebem letra de classe — são critério atendido ou não atendido —, mas reprovam igual. Detalhadas em EN 12966.
Como citar em edital
DESEMPENHO ÓPTICO
(fonte: ntcip.com.br/padroes/classes-opticas.html — uso livre)
O painel deve atender à ABNT NBR 17050:2022 nas classes:
Luminância L3 (mínimo normativo)
Contraste R3 (mínimo normativo)
Ângulo de visão B__ (mínimo normativo B4; escolher entre
B4, B6 e B7 conforme a geometria da via)
Cromaticidade C__ (declarar C1 ou C2)
comprovadas por relatório de ensaio conforme EN 12966:2014+A1:2018,
emitido por laboratório acreditado ou organismo notificado.
A versão comentada, com o que conferir no laudo, está em Os três mínimos.
Sobre esta página. Descreve a estrutura de classificação da NBR 17050:2022 e o que ela exige, sem reproduzir as tabelas de valores da norma — que são conteúdo protegido e devem ser consultadas no documento oficial, adquirido junto à ABNT.